Milagres são acontecimentos sensacionais
Inconcebíveis para a inteligência humana
Considerados como algo fora das leis naturais
Com as quais a humanidade ainda se engana
Já fui homem, tive meus amores
Nos aúreos caminhos de luz de minhas estradas
Onde tais sentimentos germinavam como flores
Todas elas por mim enamoradas
Amei o incerto e até o duvidoso
E os amei assim intensamente
E isso para mim foi muito proveitoso
Naquele momento infeliz em que eu era gente
Mas não pude sentir nas formas terrenas
O verdadeiro amor de minha trajetória
Num dilúvio cataclismático de penas
A solidão foi minha companheira inglória
Se fui amado alguma vez
Não recordo essa alma infeliz
Que quis se entregar a insensatez
E deve ter sido amada como quis
O sentimento é um impulso que extasia
Nas expressões das formas multicores
Uma baga de miasma de agonia
Num turbilhão ignaro de amores
E o coração pobre enganado
Recusa-se assim a entender
Que no peito aprisionado
Nada mais pode fazer
E na esperança miraculosa
De consumar-se sua intenção
Fiz da vida terna prosa
E compus esse refrão
Para só aí então perceber
Que foi em vão ter se esforçado
E que de nada vale mesmo saber
Se amou ou se foi amado
... Só precisamos viver o hoje intensamente...
Adriana Queiroz

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